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188 ANOS DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO RS.
Ter, 14 de Agosto de 2012 15:22

 

O veleiro Anna Louise foi o 3º embarque realizado sob às ordens
do Cel Schaefer. O navio , que partiu de Hamburgo em 24.03.24,
era capitaneado por Johann Heinrich Knaack e o comandante do
transporte era M. Sulze chegou ao Rio de Janeiro em 4.6.1824.
Além de 200 soldados vieram ainda 126 colonos.
Os primeiros imigrantes que chegaram na Feitoria do Linho
Cânhamo em 25.7.1824 eram passageiros do Anna Louise.

25 DE JULHO, 188 ANOS DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO RS.
DIA DO COLONO.

(Especial para www.sul21.com.br e JORNAL LITORAL NORTE, Torres.

 

Há 188 anos, no dia 25 de julho de 1824, 39 colonos alemães chegavam  à Feitoria do Linho Cânhamo, Rio Grande do Sul,  oriundos do veleiro Anna Louise – (http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm), que zarpou de Hamburgo,  dando início à aventura da imigração teuta no Estado. Este dia ficou consagrado, no Brasil , como o “DIA DO COLONO”, hoje pouco lembrado. Seus nomes ficaram registrados :

“A primeira leva de imigrantes era formada pelas seguintes pessoas, num total de 39: Miguel Kräme e esposa Margarida (católicos). João Frederico Höpper, esposa Anna Margarida, filhos Anna Maria, Christóvão, João Ludovico (evangélicos). Paulo Hammel, esposa Maria Teresa, filhos Carlos e Antônio (católicos). João Henrique Otto Pfingsten, esposa Catarina, filhos Carolina, Dorothea, Frederico, Catarina, Maria (evangélicos). João Christiano Rust (Bust?), esposa Joana Margarida, filha Joana e Luiza (evangélicos). Henrique Timm, esposa Margarida Ana, filhos João Henrique, Ana Catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob (evangélicos). Augusto Timm, esposa Catarina, filhos Christóvão e João (evangélicos). Gaspar Henrique Bentzen, cuja esposa morreu na viagem, um parente, Frederico Gross; o filho João Henrique (evangélicos). João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim (evangélicos). Essas 39 pessoas, seis católicos e 33 evangélicos, são as fundadoras de São Leopoldo, nome e lugar então inexistentes, porque tudo se resumia à Feitoria do Linho-Cânhamo.

(Telmo Lauro Müller- UM MARCO NA HISTÓRIA GAÚCHA)

Eu tenho a honra de ser o sexto na descendência de um deles – o Patriarca Heinrich Timm, segundo estudo genealógico feito por Maria de Lourdes Timm - http://anossafamilia.com/source.php?sid=S23&ged=anossafamilia.ged .  Meu pai, era Odacyr e meu avô Álvaro, com o qual convivi até sua morte, em 1954;  os “bisas” foram:  Vô Andréa, quem saiu da colônia para lutar na Guerra contra Rosas, no Uruguai, no início de 1850 e acabou  em Santa Maria, onde fez família ; e seu pai,  André, filho do Patriarca,  dele já nascido em terras brasileiras.  Digo-os, como homenagem a todos aqueles bravos  homens contratados por um agente do Governo brasileiro, o major Georg Von Schafer,  que estava no Brasil desde 1814 e que veio a cair nas boas graças da  Princesa austríaca D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I , da Áustria,  quando esta, casando-se com  Dom Pedro I, veio para o Brasil em 1817.

A primeira tentativa de colonização estrangeira  ocorreu pouco antes com colonos suíços que se dirigiram para Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro.  A viagem em veleiro  era demorada – de 90 a 120 dias – e penosa, com muitas mortes pelo caminho:

“O início da viagem também significava o princípio de uma aventura: a viagem pelo Atlântico, que dependendo das condições a viagem pelo Atlântico levava de 90 a 120 dias. Os suíços que haviam chegado ao Brasil em 1819, oriundos de Freiburg e que aqui se instalaram em Nova Friburgo, tiveram uma viagem desastrosa. Por falta de organização aguardaram por 2 meses o embarque no porto da Holanda. Mal instalados ali mesmo enterraram 43 emigrantes. Os 2.018 montanheses arrebanhados por campos e aldeias atravessaram o Atlântico espremidos em 7 barcos. Um dos barcos, o Urânia, em que embarcaram 437 passageiros, devido a uma epidemia, marcou sua rota marítima com um rastro de 107 corpos. Mais de 1 cadáver por dia. Um quarto dos passageiros lançados do tombadilho. No Rio de Janeiro outra mortandade em decorrência de febres tropicais. Ao todo, de uma Friburgo à outra, a velha na Suíça e a nova no Rio, somaram-se 389 baixas. Dos 2.018 colonos que saíram chegaram apenas 1.631, índice de mortandade parecido com o dos navios negreiros!”

(http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm)

Fala-se em imigração alemã para o Rio Grande do Sul, mas, na verdade, àquela época não havia uma Alemanha unificada. Naquela região pululavam diversos reinos e ducados. A Áustria, porém, de origem também germânica, era o centro do mundo, depois de ter derrotado Napoleão e congelado seu internacionalismo militante de boca de canhão. Ela comandara no continente europeu, a realização do Congresso de Viena, em 1815 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_de_Viena -  e, desde essa cidade comandava a reconstrução conservadora das áreas devastadas pelas guerras. Não permitia, sob hipótese alguma, o recrutamento de soldados, com medo de uma recidiva belicista, mal desconfiando que, a partir daquele momento, o perigo não seria mais externo, mas interno. Em 1848, várias cidades européias seriam varridas por revoluções sangrentas. A proletarização das cidades inchadas  com o advento da era industrial e  a inflamação do discurso iluminista, transbordando para o socialismo,   estava num curso inarredável.

“A difícil missão de angariar colonos e contratar soldados alemães para os Batalhões de Estrangeiros do Brasil, coube ao Major Johann Anton von Schaeffer, que havia chegado ao Brasil em 1814 e conseguido granjear a amizade de D. Leopoldina, pelo interesse de ambos nas ciências naturais.

De posse de uma procuração que o nomeava de "Agente de afazeres políticos do Brasil", Schaeffer encontrou inicialmente grandes dificuldades em contratar soldados na Alemanha. A exportação de soldados era proibida, desde o Congresso de Viena em 1815, pois as grandes potências européias ( Prússia, Inglaterra, Áustria e Rússia) não permitiriam o surgimento de um outro "Napoleão" no mundo, e , D. Pedro I, com a independência do Brasil foi considerado um usurpador do poder, um rebelde que traíra o pai.”

(http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm)

 

Era nestas cidades, Hamburgo dentre elas,  coalhadas de soldados desmobilizados, de camponeses arrancados de suas casos, de desempregados famintos que os panfletos brasileiros  oferecendo um paraíso nos trópicos ecoava. Oferecia-se-lhes passagem, terras e algum apoio financeiro.

“Para isto, anunciava aos interessados que, aqui no Brasil, receberiam 50 hectares de terra com vacas, bois e cavalos; auxílio de um franco por pessoa no primeiro ano e de cinquenta cêntimos no segundo; isenção de impostos e serviços nos primeiros dez anos; liberação do serviço militar; nacionalização imediata e liberdade de culto.

Daquilo que foi oferecido, ao menos a primeira promessa superou as expectativas: ao invés de 50, os colonos receberam (no início) 77 hectares. Os dois últimos itens não poderiam ser cumpridos, porque contrariavam a constituição brasileira. Dos outros itens, alguns também não foram cumpridos integralmente.”

(http://www.riogrande.com.br/historia/colonizacao4.htm )

Uma miragem que escondia as dificuldades da longa viagem, na qual muitos morriam, e do assentamento numa região desprovida de qualquer vestígio de civilização.

“Em 1824 chegaram em São Leopoldo 126 imigrantes; em 1825 = 909; em 1826 = 828; em 1827 = 1.088; em 1828 = 99; em 1829 = 1.689 e em 1830 chegaram 117 totalizando 4.830 imigrantes.

Os recém chegados à Feitoria de logo se depararam com novos problemas:

- por falta de demarcação das terras, muitos ficaram instalados nos prédios antes ocupados pelos escravos, aguardando por meses o assentamento dos lotes;
- a demarcação dos lotes fora feita apenas na parte frontal ficando os limites laterais por conta dos proprietários, o que gerou muitas brigas e questões judiciais;
- os subsídios que deveriam ser pagos nos primeiros dois anos eram suspensos tão logo o agricultor tivesse meios de auto sustentar-se o que ocorria já ao final do primeiro ano; os imigrantes que chegaram em 1829 e 1830 nada receberam pois as verbas haviam sido suspensas no orçamento pelo governo imperial.”

(http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm)

Não obstante, este pequeno grupo  venceu os obstáculos e se impôs como uma nova realidade no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tanto que se pode dizer que a história destes Estados  se divide em dois períodos, antes e depois de 1824... Aleluia! Paralisado o processo migratório durante a Revolução Farroupilha – 1835/45, quando os colonos alemães serviram a ambos os lados do conflito, sobreveio um novo ciclo na chagada dos alemães:

Um acontecimento importante neste  processo migratório, depois de 1945, foi a constituição do Batalhão dos Brummers, organizado pelo Governo Imperial, (http://www.angelfire.com/dc/jor_municipios/port/legionarios.html ) , em 1851, à margem de Schafer, com o objetivo de formar contingentes militares de alta capacidade técnica para lutar na defesa das fronteiras do sul. O mais notável dos Brummers foi, certamente, Karl Von Koseritz, no conjunto de 1.770 homens transportados de Hamburgo até 1852.

“O binário "brummer" X colono acelerou o progresso da colônia de São Leopoldo e das demais.
O brummer representou a cultura em boas escolas da Alemanha, e o colono a vontade férrea de trabalhar com vistas a um melhor bem-estar material, mas até então com horizontes bem restritos. Até o mais simples soltados brummer haviam recebido instrução na Alemanha. E essa instrução era de muito valor numa região como o Rio Grande do Sul, onde era inexpressivo o número de escolas e matrículas”

(http://www.angelfire.com/dc/jor_municipios/port/legionarios.html)

Eles tiveram atuação destacada na Batalha de Monte Caseros, em 03.02.18521, vindo a serem desmobilizados, por fim de contrato, em 1854, deslocando-se maior parte deles para Santa Maria, Pelotas e Rio Pardo. Alguns, entretanto, ainda seriam reincorporados para o Corpo de Pontoneiros que lutaria na Guerra do Paraguai (1864-1869).

“De 1824 a 1854, durante 30 anos haviam entrado no Rio Grande do Sul 7.491 imigrantes alemães, não computados os brummer, os ex-soldados dos batalhões do Imperador (27º e 28º Batalhões de Caçadores e Lanceiros alemães), comerciantes e outros.

Com os nascimentos, é possível que o número de alemães e seus descendentes no Rio Grande do Sul já atingissem os 17 a 20 mil referidos pelo tenente Siber. O que se observa é que de 1849 até1853 somente entraram no Rio Grande do Sul 164 imigrantes.

Os brummer vieram recompor o ritmo imigratório interrompido, e compensá-lo culturalmente pela alta qualidade dos mesmos.
Não só mais braços, como sobretudo cérebros e técnicos, até então em pequeno número. Os últimos lançaram os fundamentos da industrialização gaúcha.

Em 1858, seis anos após o estabelecimento dos brummer no Rio Grande do sul, já existiam em São Leopoldo 889 fábricas, oficinas e lojas, a maioria de propriedade dos brummer que ali se radicarm após deixarem o Exército.”

(http://www.angelfire.com/dc/jor_municipios/port/legionarios.html )

Registre-se, por fim, que a colonização alemã  no sul do país foi um marco  de contestação à matriz colonial que vigorava no Brasil desde o descobrimento, com base na grande propriedade, acionada pelo trabalho escravo e voltada à produção para o exterior. Aqui, nas terras coloniais, nascia um outro modelo, calcado na pequena propriedade  de produção familiar, de enormes conseqüências para todo o país:

“Conforme o historiador Martin Dreher, do Núcleo de Estudos Teuto-Brasileiros da Universidade do Vale dos Sinos – Unisinos, de São Leopoldo, a maior contribuição do imigrante alemão no desenvolvimento da economia brasileira está ligada ao surgimento de um novo modelo agrícola num Brasil que era dominado pelo latifúndio, pela escravidão e pela monocultura. Trata-se da pequena propriedade agrícola, na qual a família agricultora livre produz para o consumo próprio e abastece, com o excedente, o mercado interno. Um segundo aspecto que deve ser sublinhado, segundo Dreher, é o fato de cerca de 60% dos imigrantes terem sido artesãos, ao longo do século 19. Eram assim os primeiros profissionais a ingressar no país, pois até então o regime português vedava sua entrada na colônia”

(Citado por Angelita Kasper in http://angelitakasper.blogspot.com / - 15 outubro 2009)

A todos os colonos alemães, aos quais se somaram mais tarde italianos, poloneses, ucranianos e japoneses,  as minhas, as nossas homenagens!

Neste ano, aliás, abrem-se as celebrações que marcarão os 190 anos da imigração e um conjunto de atividades vêm sendo organizadas pela comunidade teuta, com o apoio do Governo brasileiro e da Embaixada da Alemanha em Brasilia. Um site foi criado para registrar estas iniciativas – "Triênio 188-190 Anos" - www.brasilalemanha.com.br devendo-se grande parte destas iniciativas a Silvio Aloysio Rockenbach - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Isto vem a calhar, pois 2013 será  Ano da Alemanha no Brasil e o ano do Brasil na Alemanha - http://www.brasilalemanha.com.br/novo_site/noticia/comecam-preparativos-do-ano-da-alemanha-no-brasil/418 , culminando com a grande comemoração dos  190 anos da imigração alemã no Brasil.

Fonte: http://www.paulotimm.com.br

 

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