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Tempos históricos
Sáb, 25 de Março de 2017 09:27
Publicada em 06/08/2016 e atualizada em 30/09/2016

Tempos históricos: há 192 anos, alemães aportavam no sul

A onda de emigração da Europa atingiu mais de 60 milhões de pessoas nos séculos 18 e 19.
Alemães, italianos, espanhóis, irlandeses e outros povos estavam assolados pela crise política, social
e econômica. Para fugir da miséria, da opressão e das guerras, os germânicos se aventuraram no
Atlântico, numa ato de desespero em busca de uma vida melhor.


Milhares de famílias precisaram esperar durante meses para embarcar


 

Os motivos de esperança eram tão fortes quanto as promessas de fartura.
Isso foi suficiente para convencer milhões de famílias germânicas a
deixarem o continente europeu. Muitos queriam mesmo é fugir de
impérios que oprimiam e aumentavam a pobreza e miséria humana.
No caso dos alemães, emigraram para continentes da África e da América,
espalhando-se por países como África do Sul, Brasil, Argentina, Chile e,
na maioria, para os Estados Unidos.

Para o sociólogo e ex-presidente do IBGE, Simon Schwartzman,
3,6% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter ancestralidade alemã.
O número parece baixo, mas representa cerca de 7,2 milhões de pessoas.
O Brasil foi onde os povos germânicos refugiados conseguiram
preservar a cultura, principalmente devido ao isolamento da Região Sul,
para onde foram enviados.

Mergulhados na selva, criaram colônias no RS, Santa Catarina e Paraná.
Os teutos migraram para estados como Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo,
Espírito Santo e Minas Gerais. Muitas foram as causas que levaram os
germânicos a viver na América.

Até 1871 não existia, de fato, um país alemão. A região era composta
por 39 estados como principados, condados, reinados e ducados.
Eram formados pela Confederação Germânica, comandada sobremaneira
por representantes da Áustria e da Prússia.

A industrialização, também chamada de Revolução Industrial, trouxe
sobre essas regiões o desenvolvimento econômico e social. Com isso, se
criaram as riquezas, o aparecimento das grandes cidades comerciais e
das metrópoles. As indústrias cresciam com grande velocidade, exigindo
cada vez mais trabalhadores para abarcar a demanda.

A população rural foi a principal atingida. Desencadeou fluxos migratórios
do campo às grandes cidades. Outros aspectos da industrialização foi
o desenvolvimento de infraestrutura, transporte, comunicação, diversos
ramos de serviços e com eles, a degradação ambiental.

Desta transformação decorreram as mazelas humanas, a pobreza,
o crescimento desenfreado da população nas cidades, o desemprego.
Foi o que desestruturou as famílias, que viviam ainda resquícios do feudalismo.

Os mais atingidos foram os camponeses. Para fugir da fome e da miséria,
muitos cogitaram a possibilidade de deixar o país. A emigração foi a única saída.

No Brasil, que havia sido declarado independente na mesma época,
o imperador Dom Pedro I investiu em propagandas para atrair os
imigrantes. Cartazes, jornais, folhetos, livros e fotografias eram
distribuídos na Europa, através de agências contratadas e com
ajuda das companhias de colonização, para estimular a vinda dos
imigrantes. A crise era tanta que enfrentar uma viagem sem volta,
atravessar um oceano em um barco à vela, sem saber quantos
meses duraria, foi preferível. E muitos morreram pelo caminho.

As transformações sociais, políticas e econômicas que passava
a Europa eram por si só motivos para buscar refúgio em outras nações.
Mas as excepcionais condições oferecidas no Brasil eram o fio de
esperança para fugir do conflito e do caos europeu.

As intenções do imperador não eram humanitárias. Ele queria
garantir as fronteiras constantemente ameaçadas pelo império
espanhol. Entre tantos outros objetivos, o de ‘branquear’ o Brasil
foi o mais estarrecedor. Segundo historiadores, havia o pensamento
de que a miscigenação era a degeneração racial. Então, trazer
os europeus era garantir o progresso e o desenvolvimento das regiões.

Os pioneiros, entretanto, foram os que mais sofreram.
Encontraram aqui a selva. Abriram caminho e se depararam com
animais selvagens. Ao chegar nas tribos indígenas, tiveram que
ir ao confronto. Muitos morreram de ambos os lados. Os indígenas
levaram a pior. Por isso, quando as relações foram sendo
estabelecidas, os escravos negros eram tratados da melhor forma pelos alemães.

E muitos africanos preferiam conviver ao lado dos imigrantes.
Isto porque na hora do trabalho, não havia diferença entre sinhô e escravo.
Ambos trabalhavam juntos na roça. Os germânicos, eram bons patrões.






Família separada na imigração se reencontra

Lothar Schaefer, 83, recebeu uma ligação que mudaria o rumo das
pesquisas genealógicas iniciadas há quase 30 anos. Do outro lado da linha,
a voz de sotaque alemão, diferente do dialeto, procurava por
descendentes de Christoph Schaefer, seu bisavô. O destino reuniu
de novo a família depois de 160 anos.

“Tão forte quanto a separação é o reencontro.” Com essas palavras,
o pesquisador Lothar Schaefer resumiu o trabalho de quase 30 anos.
As mais de mil páginas da árvore genealógica feita por ele ganharão outras
mais depois da ida à Alemanha.

O reencontro da família separada na imigração ocorreu na região de
Hunsrück, sudoeste do país germânico, em novembro de 2014.
Nove pessoas deixaram o solo brasileiro. Em Teutônia, parte do grupo
foi a Porto Alegre, onde estava o restante dos familiares. Um cineasta
da capital foi contratado para fazer um documentário dessa história.

Esta é a segunda vez que o aposentado Hilário Schaefer, 72,
vai à Alemanha. A última foi há 32 anos. “Quando fui da outra vez
ainda tinha o muro em Berlim”. Também embarcaram as filhas
Edith Janeth e Vivian Christini. Por lá, mostrou alguns números de mágica.
Os truques que faz em aniversários são um hobby que pensa em
compartilhar no solo germânico, com a família.

Na cidade de Mengerschied, a outra família deu entrevista para
imprensa local e a notícia se espalhou pela região. Separados a quatro
gerações, voltam a se ver depois de 160 anos. Desta vez, com festividade
e fartura. A ideia é organizar um encontro também no Brasil.

Documentário inspirado em filme

A inspiração vem do filme Die andere Heimat, que participou do
Festival do Rio. A Outra Pátria, de Edgar Reitz, conta as tramas de uma
vida difícil, em que havia pouca comida e trabalho, e muitos estavam
em dúvida para abandonar a terra natal.

O documentário foi acompanhado pelo genro Paulo Ricardo Wolf.
Aficionado para descobrir as origens, fez um filme sobre a imigração.
Presenciar o encontro emocionou. “Meu filho terá esta ligação direta
com seu passado. O que tem por trás destas datas? São histórias,
ricas em detalhes que não podemos perder.”

Wolf foi junto para testemunhar o encontro. Havia tentado o mesmo
com a própria família. Mas naquela vez a ida à Alemanha trouxe poucos
resultados históricos. “Temos indícios que ligam nossa família, mas faltam
dados e principalmente contato com familiares.”

Coincidências familiares

Se de um lado Lothar dedicou 30 anos em busca de esclarecimentos,
do outro lado do Atlântico, Hilde fazia o mesmo. Na cidade de Mengerschied,
tem um livro que conta a história da imigração desde 1784. A forma como
muitos habitantes deixaram a cidade e se espalharam pela Inglaterra,
EUA, África do Sul e Brasil está escrita nos detalhes. Inclusive a dificuldade
enfrentada para voltar a falar com familiares que vieram para o continente americano.

Quem ficou do lado de lá do oceano ou mesmo foi morar com os
norte-americanos, voltou a se comunicar. Aos que colonizaram o Brasil,
restaram as lembranças. Perderam completamente o contato. A partida
era de lágrimas. Sabiam estar se vendo pela última vez e a despedida
de pais e filhos, irmãos e amigos era um feito emocionante.

Hilde descobriu que dos 50 vindos da pequena cidade dois vieram
ao Brasil e um era Schaefer. Tratava-se do irmão de seu bisavô, que deixou
o país em 1854. Conforme Lothar, esse momento de separação era feito
com a melhor roupa.

Ao chegar, logo procuraram exercer a profissão como sapateiros,
alfaiates, missionários, professores. Christoph Schaefer veio como
costureiro, mas logo assumiu como pastor e professor. Esse era, segundo
consta, um sonho de infância que não pôde realizar no país de origem.

Lothar reuniu mais de mil páginas em uma pesquisa genealógica
que parou no bisavô Christoph. Naquela época, a Europa estava tomada
pela fome e pobreza, motivos decisivos para que o bisavô viesse ao Brasil.

O histórico compilado em um calhamaço de folhas de ofício nem
fora numerado. Sugere, porém, mais de mil folhas. Trata-se de
registros de nascimento e óbitos, enfim, documentos enumerados.
“Talvez o mais precioso documento vou conseguir na Alemanha.
Com a foto do meu bisavô, quero colocar uma cópia da carta escrita por ele.”

Carta salvou-os do esquecimento

O mais rico material histórico que comprova a ligação entre as famílias
é a carta escrita pelo pastor Christoph Schaefer. Ela foi a única prova que
permaneceu intacta, mesmo tendo atravessado o Atlântico. Quando foi
embora, ele não conseguiu mais contato com a família. Não havia sistema
de correios no Brasil. O primeiro selo conhecido como Olho de Boi foi
impresso por determinação do governo imperial só em 1843. Além disso,
não havia endereço fixo para os imigrantes. A família que ficou sabia apenas
que o jovem havia partido para o sul da América.

Nessa carta, Christoph, que virou pastor, descreveu a sua missão,
incompreendida na Europa. Conta sobre os desígnios de Deus e sobre a
caridade em esclarecer a Bíblia aos incultos. Da pequena cidade de
Mengerschied, que hoje tem cerca de 700 habitantes, 50 pessoas emigraram
para várias regiões da Europa e América em cem anos.

Em tom profético, constam na carta os detalhes de como estava a vida
no Brasil, na Comunidade Gabriel. Trata-se da reprodução de um discurso
dele como pastor. Em determinado trecho cita: “O que, querida comunidade,
devo anunciar a vocês depois que me tornei pastor? Será que me torno
um falso que faz do preto o branco e do branco o preto? Vosso amor foi
grande comigo. Isto me dá coragem e confiança, de plantar hoje a bandeira
do crucificado neste lugar sagrado{…}”
Fonte: http://www.jornalahora.com.br/2016/08/06/tempos-historicos-ha-192-anos-alemaes-aportavam-no-sul/

 

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